Juiz de Fora-MG  -  quinta, 18 de dezembro de 2014  

História dos Bondes em Juiz de Fora




Bondes circulando pela Av. Rio Branco.Bondes circulando pela Av. Rio Branco.

A história dos bondes em Juiz de Fora tem início em 1880, quando os Srs. Félix Schmidt e Eduardo Batista Roquete Franco, assinam contrato com o Governo Provincial, para construção e uso de uma linha férrea para carrís urbanos(Bondes) com tração animal, com privilégio exclusivo por 60 anos.

Eles constituíram a Companhia Ferrocarril Bondes de Juiz de Fora, e enviaram requerimento a câmara municipal, solicitando licença para instalação de trilhos, requerimento que foi deferido pela câmara naquele mesmo ano.

Bonde de tração animal entre a Rua Marechal Deodoro e Av. Rio Branco. Foto: O Lince Bonde de tração animal entre a Rua Marechal Deodoro e Av. Rio Branco. Foto: O Lince

A primeira linha foi inaugurada em 15 de novembro de 1881, utilizando bondes puxados por burro, o trajeto compreendia as ruas do Imperador, Halfeld, do Comércio, Espírito Santo e Direita. Em 1882, a linha foi expandida em direção a Estação Mariano Procópio.

Em 1897 a firma Fritz Wintz assume a Companhia Ferrocarril Bondes de Juiz de Fora.
No dia 28 de Fevereiro de 1905 a Companhia Mineira de Eletricidade adquire a Companhia Ferrocarril Bondes de Juiz de Fora, utilizando empréstimo obtido no mercado, no valor de 350:000$000, imediatamente coberto pela comunidade local. Em 27 de maio do mesmo ano o Governo do Estado aprova a transferência da concessão do serviço de bondes a Companhia Mineira de Eletricidade.

Em 6 de Junho de 1906 a CME coloca em circulação os dois primeiros bondes elétricos de Juiz de Fora, que foram adquiridos no exterior, e recebidos sob grande entusiasmo da população local. A partir de então, passa a expandir as linhas por vários pontos da cidade, popularizando o transporte.

No ano de 1920 são estabelecidos pontos de parada para os bondes da CME, que até então podiam parar em qualquer lugar, para o embarque e desembarque de passageiros.
A CME mantinha uma oficina de reparação de bondes nos fundos da distribuidora, e que na década de 30 também construía bondes, que eram projetados pelos engenheiros da própria empresa.

Em 1926 por resolução municipal, foram unificados os serviços de Força e Luz, Bondes e telefones, em novo contrato com validade de 25 anos. Após o término da validade o serviço de bondes seria revertido para a prefeitura. Em 1951 com o término do contrato a prefeitura se recusou a assumir os funcionários do DVE - Departamento de Viação Elétrica da CME, pois o contrato só fazia referência ao material fixo e rodante que seria revertido gratuitamente, o que fez o sindicato dos trabalhadores levar a decisão para a justiça. Depois de três anos de batalha judicial, no dia 21 de fevereiro de 1954, a concessão do serviço foi revertida ao município, e os funcionários do DVE, passaram a ser funcionários da prefeitura. Naquele mesmo ano, foi criado o Departamento Autônomo de Bondes (DAB).

Dois anos após o município assumir o serviço de bondes eles começaram a ser extintos, até o dia 9 de Abril de 1969, quando foi realizada a última viagem de bonde em Juiz de Fora, com o bonde nº 30 da linha de São Mateus, que levou o conjunto de Ministrinho, e foi estacionado em definitivo após a última viagem no antigo abrigo em São Mateus. Os antigos bondes, com a desativação do serviço, foram doados a escolas e clubes da cidade para serem instalados em suas áreas de recreação, não se sabe o destino que estes bondes tiveram após a doação.

Bondes preservados em exposição permanente no Parque da Lajinha.Bondes preservados em exposição permanente no Parque da Lajinha.Em 1983 foi criado o Museu do Bonde, que abrigaria o acervo remanescente do antigo DAB. No mesmo ano o Museu foi desativado e os dois bondes levados para o Parque da Lajinha.

Os dois bondes que permanecessem até hoje no Parque da Lajinha, foram tombados em 3 de junho de 1988 pelo decreto 3.966/88 como patrimônio municipal.

 

 

 

 

Texto: Jefferson Gomes de Oliveira
Fontes: História de Juiz de Fora, Paulino de Oliveira 2ed. 1966 / Efemérides Juizforanas, Paulino de Oliveira 1975 / Companhia Mineira de Eletricidade, Paulino de Oliveira 1969 /
Companhia Mineira de Eletricidade, Carlos Alberto Hargreaves 1994 / Juiz de Fora em Dois Tempos, Tribuna de Minas 1997 / Revista Razões n° 62 1985 / Guia dos bens tombados de Juiz de Fora, PJF 2002.

 


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