Juiz de Fora-MG  -  sábado, 29 de abril de 2017  

Juiz de Fora e seu desenvolvimento com o 'Ouro Verde'




Frutos do caféFrutos do café

Juiz de Fora e seu desenvolvimento com o "Ouro Verde¹"

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O período de maior crescimento de cidades, em toda a História do Brasil, corresponde à época do ouro em Minas Gerais, no início do século XVIII. Antes, era difícil a criação de uma rede urbana, pois havia restrito comércio colonial, uma pequena vida cultural e grandes dificuldades de comunicação e transporte entre as pessoas.
Por volta do ano de 1703, foi construída uma passagem de circulação chamada "Caminho Novo"² a qual localizava-se à margem esquerda do rio Paraibuna, nada existia do lado direito do rio, somente mata fechada.
Garcia Paes Leme foi quem conseguiu, com sucesso, cumprir a difícil tarefa de abrir esta passagem a qual ligava a região das minas ao Rio de Janeiro, facilitando o transporte do ouro e evitando que este fosse contrabandeado e transportado por outros caminhos sem o pagamento dos altos tributos, que incidiam sobre toda extração. A abertura desse caminho contribuiu assim para que surgisse o povoado de Santo Antônio do Paraibuna. Mais tarde o povoado se tornaria a cidade de Juiz de Fora.
Às margens do Rio Paraibuna surgiram diversos ranchos, hospedarias e postos oficiais de registro e fiscalização de ouro, que era transportado em lombos de mulas. Em torno deles, aos poucos, criaram-se roças e povoados que na Zona da Mata mineira, deram origem a cidades como Borda do Campo (Barbacena), João Gomes (Santos Dumont) e Santo Antônio do Paraibuna (Juiz de Fora).

Até 1808 Santo Antônio do Paraibuna não havia se desenvolvido. Nesta época, o Império passa a distribuir terras (sesmarias) na região para pessoas de origem nobre, facilitando o povoamento e a formação de fazendas que, mais tarde, se especializariam na produção de café.
Em 1850, as terras ao longo do rio Paraibuna (Santo Antônio do Paraibuna) foram elevadas à categoria de vila, emancipando-se de Barbacena e formando um município. A elevação à categoria de cidade ocorreu quinze anos depois, quando foi adotada a denominação de Juiz de Fora.
O príncipe D. João VI, após ter recebido de Moçambique grande quantidade de sementes e mudas de café, convocou ao palácio real nobres, sesmeiros e proprietários da extensa região agrária, estimulando-os ao cultivo da rubiácea.
Nos remetendo à vila de Santo Antônio do Paraibuna, entre os convocados de sua majestade, estava o coronel de Milícias José Inácio Nogueira da Gama, possivelmente o maior latifundiário da região, proprietário da fazenda São Matheus.
O Cel. fez canteiros de café em sua fazenda e obteve grande sucesso, chegando a ter 22 anos mais tarde, 400 mil pés da planta. Localizada a 16 Km do centro da atual Juiz de fora a fazenda São Mateus é, provavelmente, a mais conhecida da região. Sua construção data o final do século XVIII.
Confirmando o narrado na 1° parte, percebemos a vantagem da vinda de D. João VI ao Brasil, já que contribuiu para o desenvolvimento da região do Caminho Novo dos Campos das Gerais, tornando esta área, em pouco tempo, num dos pontos da mais alta importância política, econômica, cultural e social do centro sul do Brasil.

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Santo Antônio do Paraibuna passa a vivenciar um processo de grande desenvolvimento econômico proporcionado pela agricultura cafeeira que se expandia pela Zona da Mata Mineira, dando origem a formação de outras várias fazendas.
Fato curioso é que para trabalhar no cultivo cafeeiro necessitava-se da mão de obra escrava e em Santo Antônio do Paraibuna por volta de 1855 existiam mais escravos que homens livres (quatro mil escravos para dois mil homens livres), numa média de cem escravos por fazenda. Em Minas Gerais se destacavam Santo Antônio do Paraibuna (Juiz de fora) e Leopoldina pela quantidade de escravos.
Outras fazendas ganharam destaque na região como: as fazendas Ribeirão das Rosas, Matosinhos, da Tapera, do Montebelo, da Cachoeira, Vista Alegre, Palmital, São Fidélis e a fazenda Passo da Pátria atualmente uma das poucas que recebem visitação. Localizada na Estrada Juiz de Fora-Bicas, BR 267 a aproximadamente 16 km do centro de Juiz de Fora.
Se destacou como grande produtora de café, sua construção é da segunda metade do século XVIII e ainda se mantém 100% original. Na senzala ficava um tronco utilizado para punir os escravos desobedientes, o gozado é que este tronco ficava logo abaixo da capela, em cima as pessoas rezavam e embaixo as mesmas maltratavam. A sede é cercada de muita terra e um grande terreiro de secagem de café. Mais de cem homens já trabalharam no local que, nos tempos áureos, tinha também um despolpador e um enorme galpão de armazenagem. Anualmente eram colhidas cerca de 14 a 20 mil arrobas de café.
Segundo a proprietária do local, engenheiros analisaram a fazenda e verificaram que os erros de construção são aceitos na engenharia dos tempos modernos. Interessante como conseguiram fazer uma construção bem feita se naqueles tempos não havia a tecnologia avançada!
Hoje como há 200 anos atrás pelo menos uma vez no mês a sede é aberta para a celebração de uma missa que reúne a comunidade local.
Na fazenda existe uma cachoeira chamada "Marimbondo", segundo a proprietária, no local havia muitos marimbondos, já que no passado a cachoeira era cercada por mata fechada. Atualmente a cachoeira por si só atrai visitantes.

Cabe destacar outras fazendas históricas do município, como a Fazenda Floresta e a fazenda Ribeirão das Rosas. Esta última erguida em 1752 pela família do inconfidente Domingos Fidal Barbosa, a segunda construção de Juiz de fora foi destaque na produção de café. A casa já abrigou D. Pedro I em suas viagens pelo Caminho Novo e serviu também como posto fiscal de ouro. Dizem que a estrada passava por debaixo da sede. O prédio é administrado pelo exército desde 1957 e foi tombado em 2001. Localiza-se na Estrada Ribeirão das Rosas, no bairro Barbosa Lage.
Já a Fazenda Floresta está, há mais de 150 anos nas mãos da família Assis. A sede começou a ser construída em 1850. A fazenda por muitos anos esteve voltada para a produção cafeeira. Na mesma época na fazenda se encontrava uma fábrica têxtil, construída por Teodorico de Assis. Centenas de colonos, divididos entre as 160 casas ao longo da fazenda, se dividiam na produção de tecido. Ainda se encontram no local a antiga senzala, algumas das casas dos colonos e a tulha, onde era armazenado o café. Os terreiros de secagem também foram mantidos. No local encontra-se também em perfeito estado de conservação, uma máquina debulhadora de café datada de 1910. A fazenda Floresta foi visitada por pessoas ilustre entre elas o ex-presidente Getúlio Vargas e o ex-governador de Minas Gerais Olegário Maciel, em 1930.
Com o apogeu do café, a região de Santo Antônio do Paraibuna se desenvolveu a tal ponto que o primitivo Caminho Novo – que era um "arrastão" – precisava ser substituído por estradas de rodagem. O lombo de burro devia dar lugar a carros de transporte.
Nesse sentido iniciou-se a estrada de rodagem "Estrada do Paraibuna", atual Avenida Barão do Rio Branco, cujo projeto é datado de 1836, sendo construída pelo engenheiro Henrique Fernando Halfeld, em convênio com o governo da província. Até o estabelecimento do contrato e o início da abertura da Estrada do Paraibuna. Nada existia do lado direito do rio Paraibuna, tudo se localizava no lado esquerdo, o lado do Morro da Boiada, hoje bairro Santo Antônio.

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Menos de trinta anos depois, com o objetivo de facilitar o escoamento do café, assim como o transporte de passageiros, foi inaugurada a estrada de rodagem União Indústria, em 1861. O evento contou com a presença de D. Pedro II e sua família, entre outros membros do governo imperial.
Por iniciativa de Mariano Procópio, esta considerada a primeira via de transporte rodoviário do Brasil foi construída com o aproveitamento de vários trechos da Estrada do Paraibuna. Mariano Procópio construiu desvio do centro da cidade, ao atingir o largo do Riachuelo, mudando o rumo da estrada, traçando uma reta de 1km, hoje a Avenida Getúlio Vargas.
A Estrada União Indústria, possui 144 Km de Petrópolis a Juiz de fora, objetivou-se também encurtar a viagem entre a corte e a província de Minas. Para sua construção foram contratados engenheiros e técnicos alemães. Para essas pessoas, Mariano cria um núcleo colonial voltado para a produção de gêneros agrícolas, dando origem a colônia dom Pedro II, composta por 1162 imigrantes alemães. Essa colônia não conseguiu se manter por muito tempo, levando muitos colonos a abandonar suas terras e irem em direção à cidade, afim de trabalharem nas indústrias.
Pouco tempo depois a cidade conheceria um tipo de transporte que começava a ser implantado país afora, o transporte ferroviário.

Rio Paraibuna


O Rio Paraibuna

O nome do rio tem origem indígena (Parayuna). Os índios chamaram-no assim por apresentar suas águas turvas ou escuras, devido as rochas presentes no fundo de alguns trechos.
Em 1940 ocorreu uma grande enchente na cidade, a qual foi a maior calamidade pública, devido a isto o curso do rio foi alterado em alguns trechos numa tentativa de evitar novos alagamentos.

Veja mais sobre o Rio Paraibuna aqui

Transporte Ferroviário


O transporte ferroviário e a Praça da Estação

O Barão de Mauá, Irineu Evangelista de Souza, foi o pioneiro na implantação das vias férreas. No ano de 1852, este conseguiu concessão de 10 anos parta sua empresa, a Cia. De Navegação a Vapor e Estrada de Petrópolis. Sendo esta uma linha de navegação entre o cais e o porto de Mauá, ao fundo da Baía de Guanabara, de onde, tempos depois, seria construída a estação inicial que ligaria o Rio de Janeiro à raiz da serra de Petrópolis. A referida estação fora inaugurada em 30 de abril de 1854 e nela andou a Baronesa, a 1° locomotiva do Brasil, assim denominada em homenagem à esposa do Barão, D. Maria Joaquina Machado de Souza, a Baronesa de Mauá.
Neste contexto, em Santo Antônio do Paraibuna , no dia 30 de dezembro de 1875, inaugurou-se a Estação provisória da estrada de ferro D. Pedro II, localizada em terreno adquirido por beneméritos e doado à ferrovia. Um ano após a inauguração da estrada de ferro, a cidade já ocupava o 4° lugar em importância de receita do Brasil.
A estrada de ferro D. Pedro II consolidou a importância do município dentro da província mineira, no auge da produção do café. Sua implantação se deu no momento em que a Cia. União e Indústria se encontrava deficitária, neste sentido a ferrovia desempenhou papel fundamental no escoamento do café.
Pela cidade também passava a estrada de ferro Leopoldina, a qual ligava o município às cidades da zona da mata mineira.
Neste momento a cidade acaba de mudar seu nome, passa a se chamar "cidade do Juiz de Fora" é algumas melhorias urbanas identificam o acelerado processo de desenvolvimento do município e os primeiros passos para a industrialização são dados, através do capital acumulado do café. Como a chegada do telefone em 1883, do telégrafo em 1884, a implantação do Banco Territorial Mercantil em 1887 e do Banco de Crédito Real em 1889.

Juiz de Fora teve na ferrovia uma marca de progresso em circulação de pessoas, mercadorias e ideias. Por volta de 1888, a produção de café já não era tão vigorosa. A mão de obra escrava diminuía gradativamente, pois desde 1850, era proibido o tráfico, não havendo, portanto entrada regular de grande número de escravos. Outro fator que dificultou a sua entrada na Zona da Mata, neste período, foi a concorrência do café produzido em São Paulo, com terras novas e férteis, propiciando lucros e necessitando cada vez mais de escravos.
Um fato curioso é que a grande maioria dos fazendeiros de café do município investia os lucros do produto em outras atividades (indústria e comércio).
A data de final do século XIX foi destaque, pois houve a construção do Grande Hotel Renascença, este ficou famoso no Brasil, pelo requinte e luxo tanto do seu interior quanto da sua fachada. Nele hospedaram-se os ex-presidentes Getúlio Vargas e Arthur Bernardes.
A Praça da Estação foi o local de chegada de autoridades, de realização de comícios, manifestações políticas e de cunho social. Na década de 1980, ali foi realizado o comício do movimento "diretas já".
Sobre a fase da industrialização, a cidade, em 1911, possuía cinquenta estabelecimentos industriais e em 1921, já havia cento e sete. Algumas fábricas sobressaíram neste período, como a Ferreira Guimarães, a Fiação e Tecelagem Antônio Meurer e a Pantaleone Arcuri, sendo esta última voltada para a construção civil. E justamente em função do desenvolvimento industrial que a cidade ganhou o apelido de "Manchester Mineira", o município foi comparado à cidade de Manchester, na Inglaterra, a qual foi conhecida mundialmente por suas indústrias.


¹ O início do desenvolvimento do município de Juiz de fora se deu com a produção do café (ouro verde).
² O caminho velho ligava a região das minas à Parati.

 


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